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Cadê o cardamomo?

  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

Uma história real vivida no Delícias De Aicha, em Porto Velho. Uma crônica sobre tradições árabes, cardamomo e uma divertida lição de respeito aos sabores da cultura.


Eye-level view of a lush green garden with diverse plants

Confesso: na minha primeira visita ao Delícias De Aixa, achei que tinha descoberto um jeito discreto de escapar do cardamomo.

A bebida chegou perfumando a mesa. Um café, ou talvez um chá, daqueles que a gente não consegue explicar, apenas sentir. Aromático, intenso, diferente de tudo o que eu já havia provado. No meio da xícara, repousava o protagonista da história: o cardamomo.

Como uma criança que esconde o legume debaixo do arroz, retirei a sementinha da bebida e a escondi, silenciosamente, dentro do guardanapo.

Achei que ninguém tinha visto.

Foi quando o dono saiu de trás do balcão e, com aquele sotaque árabe carregado de simpatia e convicção, perguntou:

Cadê o cardamomo? Cadê o cardamomo?

Fingi não entender.

Ele insistiu:

— Tem que botar o cardamomo!

Não havia negociação possível.

Com toda a dignidade que ainda me restava, desenrolei o guardanapo como quem desenterra um segredo, resgatei o cardamomo e devolvi à xícara.

Só então ele sorriu, satisfeito.

E eu também.

Porque bastaram alguns goles para entender o motivo de tanta insistência. O cardamomo não está ali por acaso. É ele quem transforma a bebida em uma experiência, trazendo um aroma marcante e um sabor que fica na memória muito depois do ultimo gole.

Então fica a dica: quando visitar o Delícias De Aixa, peça essa bebida especial. E, por favor... não tire o cardamomo da xícara.



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